Sabe bem escrever ao acaso, mas hoje não é bem esse o caso.
Já são inúmeras as minhas publicações. Comecei em 2002, quando os blogues surgiram, para relatar a minha complicada gravidez. Na altura, o blogue foi bastante acompanhado: pessoas que eu nem conhecia apareciam apenas para me dar um abraço de encorajamento, e isso foi muito importante. Quando a minha filha fez um ano, passei para O Meu Quintal, que também contou com muitos leitores.
Passaram-se bem mais de 20 anos. Entretanto, casei formalmente, fui traída e acabei por me divorciar — melhor assim. Vieram também outros blogues, mais escondidos, quando estes saíram de moda e nasceram as redes sociais. As mesmas redes onde toda a gente, muitas vezes atrás de perfis falsos, destila um veneno que, na vida real, não teria coragem de assumir.
Shame on you :)
Um dia, um daqueles dias como todos os outros, saí de casa para beber o meu café matinal e, sem saber como nem porquê, acabei por voltar com um cavalo moribundo, abandonado para morrer. Não o podia deixar ali. As autoridades trataram da papelada para que viesse morrer cá em casa, acompanhado e com amor.
Foi a batalha da minha vida. Na minha cabeça, ia escrevendo a história dele. Um dia, num caderno da minha filha, liguei o modo non-stop e escrevi, escrevi, escrevi... Até nascer o meu primeiro livro, sobre o cavalo que, mais de sete anos depois, ainda cá está.
Entretanto, fui tendo períodos em que deixava de escrever. Mais tarde, tirei uma pós-graduação em Storytelling e Escrita Criativa e tive de escrever um conto, com o limite máximo de 20 000 caracteres — por muito que isso enerve quem fica a querer mais da história. Voltei ao modo non-stop. Talvez tenha um lado autista funcional. Desse conto nasceu outro, depois outro e mais outro. E, no dia 15 de setembro, sai um novo, diferente dos anteriores.
As pessoas que já o leram parecem ter gostado, o que é bom.
Entretanto, fez-me sentido criar um site onde pudesse reunir todo o meu trabalho. Não por ser especial, mas porque faz sentido ter um lugar onde tudo possa ficar junto e organizado.
Se me considero escritora? Não, de todo. Falta-me uma montanha de coisas para me poder considerar uma escritora. Sou apenas uma reformada que gosta — e sempre gostou — de escrever umas coisas. Chamar-me escritora é quase ofender os meus escritores favoritos, só isso. E nem sei se algum dia chegarei ao nível deles; provavelmente, não.
Isto não é derrotismo. É apenas o meu lado de programadora informática: analista e realista.
Sem dramas.
Fiquem bem.
Carla
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