O Resgate do Zambujo
Uma história real de Carla Matos Alves sobre o resgate de um cavalo abandonado, os desafios da recuperação e o extraordinário laço que pode nascer entre uma mulher e um animal. Uma história de sofrimento, resiliência, segundas oportunidades e do poder transformador do cuidado e da compaixão — uma história que viria a dar origem ao seu primeiro livro impresso.
O livro
Somos uma equipa dedicada e empenhada em criar experiências excepcionais. O nosso objetivo consiste em fornecer soluções fiáveis e inovadoras, impulsionadas por um profundo respeito pela qualidade e um desejo genuíno de exceder as expectativas.
A nossa história
Desde o início modesto, temos crescido através de uma dedicação inabalável e de um compromisso com a melhoria contínua. Cada passo reforçou a nossa crença fundamental no poder da colaboração e na importância da integridade. Somos apaixonados pelo que fazemos e estamos entusiasmados por partilhar a nossa história contigo.

Uma jornada de resgate e cura
No centro de O Resgate do Zambujo está a história inesquecível de um cavalo abandonado que recebeu uma segunda oportunidade de vida. Mas os meses que se seguiram ao seu resgate foram tudo menos fáceis. A recuperação de Zambujo foi um caminho longo, exigente e, muitas vezes, emocionalmente doloroso, feito de avanços, recuos, medos e pequenas vitórias.
Enquanto tentava devolver-lhe a saúde, a confiança e a dignidade que lhe tinham sido negadas, Carla descobriu também algo sobre si própria: era capaz de fazer coisas que julgava impossíveis. Impossible is nothing.
Zambujo não foi apenas salvo. Também ele a transformou. No caminho, ambos mudaram, aprenderam e cresceram juntos, construindo uma relação baseada na confiança, na paciência e num vínculo que ultrapassava o simples cuidado de um animal.
E a história não terminou com a recuperação. Mais tarde, quando Zambujo sofreu uma grave cólica e precisou de ser internado, Carla voltou a lutar pela sua vida. Uma vez mais, o medo deu lugar à determinação e a esperança à espera de uma nova oportunidade.
O Resgate do Zambujo é, por isso, mais do que uma história de resgate. É a história de duas vidas que se encontraram, se salvaram de formas diferentes e nunca mais voltaram a ser as mesmas.
Primeiro Excerto
Nessa manhã, fui com o Nuno, meu inquilino na altura, como faço, ou fazia diariamente à sede do grupo desportivo aqui da nossa pequena localidade, cujo estabelecimento é o ponto nevrálgico para os seus habitantes, beber um café e trocar, como de costume, meia dúzia de larachas com os vizinhos. Ao chegar, deparamo-nos com um ambiente muito carregado, cheio de homens fortes do campo que, ao contrário de mim, que já nem carne como, não tem problemas em matar o que querem comer e são, geralmente, caçadores, mas que, naquele dia, estavam muito incomodados e a comentar que, duas ruas abaixo, estava um cavalo abandonado.
Esse animal, seria provavelmente oriundo de um daqueles grandes grupos que por aí passam em caravana, em que um conjunto de pessoas, nómadas, que sim, ainda existem em pleno século XXI, viajam de terra em terra, em carroças de tração animal, acompanhados das dezenas de cavalos com que negoceiam e montando as suas tendas com lonas, em descampados ainda não ocupados pelas casas móveis que vão nascendo como cogumelos, acampando terra após terra, cozinhando em fogueiras e usando a água dos poços aos quais ainda tem acesso, poços que às vezes as populações locais envenenam, com petróleo ou similares, para que a água não possa ser mais usada e existindo atualmente a regra de que só podem permanecer por um período de 24 horas.
Esse cavalo, que tanto os incomodava e era motivo de todas as conversas do dia, estaria pele e osso, de tal maneira que todos já o tinham ido espreitar, um a um, em procissão fúnebre, mas que lhes fazia muita impressão, tal a magreza e estado em que estava.
Premonições?
Por acaso, dias antes, eu tinha estado parada frente a uma dessas caravanas, a olhar um cavalo ruço, amarrado atrás e a pensar, como tantas vezes, que um dia, o tal dia que ainda não tinha chegado, ia falar com os responsáveis das mesmas e ia comprar um, para o levar para casa, ao menos salvava esse ser, mas ainda não tinha condições para isso.
Além desse ruço com quem cruzei olhares, penso que poderia até ser já o Bujo, alguns me ficaram especialmente marcados, uma égua baia, numa camionete, que quando perguntei me disseram não ter nome e um lindo cavalo palomino, que seguia numas caravanas puxadas por outros cavalos, a trote largo, que me despertou a atenção e que, umas poucas horas depois, recebi fotos dele, caído no chão, já na Moita, a uns 11 km, com várias pessoas a reclamar e o detentor zangado esforçando-se a tentar levantá-lo, com gente zangada, aos gritos e a reclamar à volta. Tantos a que se deveria deitar uma mão, mas não é possível.
Decidimos, também nós, ir ver o tal cavalo que tantas visitas teve e tanta impressão causava. Estavam todos revoltados, que tinham já ligado várias vezes para a guarda, a GNR que ainda não tinha aparecido. Ao chegarmos, ele ainda conseguiu vir ter connosco, nesses primeiros dias ainda não tinha perdido a 100% a capacidade de se levantar, em terrenos que ajudavam ao ato, por exemplo com altos que permitissem alguma impulsão e realmente, pele e osso, não deve ter tido forças para acompanhar o grupo. Como, infelizmente noutros casos, foi deixado para trás e cheio de sede, tentou beber água de uma pequena garrafa que a minha vizinha Rosário tinha no carro, mas obviamente que a garrafa era pequena demais para um animal daquele tamanho.
Decidimos vir a casa, buscar uma celha e um garrafão de água, para que ele pudesse beber. No regresso ao local, encontrámos o carro da GNR e perguntei se estavam à procura do cavalo e como estavam, pedi que me seguissem até ele.
Eram dois elementos, um graduado mais sério, de cavalaria, que se aproximou do cavalo e um, mais descontraído, que me explicou que não foi possível vir mais cedo porque tinham de acudir por ordem de chegada, a muitas chamadas, por vezes inúteis, em que, por exemplo, pessoas em pequenas guerrinhas, se entretinham a dar queixa de vizinhos de quem não gostavam, dizendo que estes tinham um cão maltratado, fazendo a patrulha deslocar-se ao local para constatar que se tratava apenas de implicâncias, que afinal o cão em questão não estava, nem nunca esteve maltratado, mas que, com isso, desviavam recursos para situações mais graves, como era o presente caso. Parece que é uma maneira recorrente de pessoas que habitam perto umas das outras, sem mais que fazer, se tentarem vingar de quem está ao seu entorno e de quem não gostam.
Nessa altura, eu achava que o cavalo era roubado e teria um dono à espera dele. Como sabia que o canil municipal, não tem condições para ter cavalos, afinal, recebia na altura e-mails sobre esses temas, o que era a razão de ter essa informação, disse que, até ir para o dono, ele podia ficar no tal cercado na minha casa.
Entretanto teve de se esperar pelo veterinário municipal que, ao chegar, constatou que o animal não tinha chip e, portanto, estava não roubado, mas sim abandonado, facto que deu origem a uma pequena reunião entre o veterinário e o graduado da GNR. Este último, veio, em seguida, falar comigo, eu recordo hoje como se viesse assim numa atitude expectante, provavelmente numa esperança interna de o conseguir salvar, afinal era de cavalaria e resolver o problema, a falar calma e corretamente, a explicar que ele não tem chip, e que no dia seguinte viria uma máquina da câmara abrir um buraco e ele seria abatido e enterrado, afinal, não se pode deixar um cavalo à solta na via pública, é perigoso e como é do conhecimento geral, tem causado acidentes, até com mortes e, voltando a frisar, que não me queria pressionar, perguntou:
— Você quer o cavalo para si? Se não quiser não há problema, nós resolvemos, mas quer o cavalo para si?
Confesso que fiquei abalada, em absoluta descrença, o plano de manhã era beber café não trazer um cavalo, estava em absoluto choque e dei início a uma conversa insana em que só repetia, várias vezes, “mas para mim como??” e ele pacientemente explicava “Fica seu, nós passamos um documento e fica seu” e eu não saía da pergunta “mas meu como?” até que o meu inquilino Nuno se fartou e literalmente, com uma cotovelada no braço, me gritou “FICA TEU, PARVA!!!” e acho que foi preciso ouvir esse grito para eu sair desse torpor.
Incrédula, tinha a sensação que era isso ou deixar o animal ser abatido ali e não é do meu feitio deixar uma coisa dessas acontecer, parafraseando o graduado da GNR era só para não o deixar morrer ali à beira da estrada e tomei a decisão de embarcar naquele barco, estava convencida que ele, naquele estado ia falecer, duraria uns quatro dias, talvez uma semana, mas decidi que não ia morrer sozinho e que eu ia estar com ele nesse último momento.
Morreria ao meu lado, com a cabeça apoiada nas minhas pernas, entre palavras de amor e conforto e, portanto, sem ver outra alternativa ao seu abate no local onde foi abandonado, lá acedi:
— OK vamos embora.
Detentora de um cavalo
Pediu-se à Rosário, dona da garrafa de água, cuja família à época tinha cavalos, se arranjava um cabeção velho e uma guia emprestada e ficou decidido que eu ia conduzir o SUV do Nuno pela borda da linha do comboio, ele vinha em seguida com o cavalo à guia e a GNR atrás a sinalizar o cortejo. Estranha procissão para salvar um cavalo em apuros.
Confesso que fiquei uma pilha de nervos quando descobri que tinha de conduzir o enorme SUV do Nuno, a tal ponto que o guarda me fez a pergunta: — mas você não tem carta??? — e tenho, mas não tenho o hábito de conduzir carros grandes, estou habituada ao meu.
Lá dominei os nervos e lá arranquei, o SUV até foi fácil de conduzir e parece que o cavalo ainda ameaçou cair no percurso de quase 1 km até cá a casa, mas felizmente conseguiu chegar e foi para o cercado.
Como nota, aquela parcela de terra ficava todo o ano vedada e o pasto crescia lá dentro. Chegando o verão, vinha uma máquina enfardar toda aquela erva já seca, eu ficava com o terreno limpo e quem o limpava levava cerca de 50 fardos de palha, um bom negócio para ambas as partes e ainda me deixava uns 2 ou 3 fardos.
É engraçado que, ainda na semana anterior à chegada dele, dali tinham saído os tais 50 fardos.
Foi assim o meu 12 de julho de 2018, a fazer seis anos e acreditem, a minha vida mudou.
Caído e sem forças, com as patas a raspar o chão em inúmeras tentativas de se levantar
Medos e inquietações
Nessa madrugada de 13 de julho eu não conseguia dormir.
Ele, cavalo ainda sem nome, estava caído ao fundo do terreno, no ar formava-se uma espécie de neblina que o ia envolvendo e é comum
nesta zona, à noite, por estar num baixio de terreno. Eu fui ter com ele e ao ver que estava a apanhar com aquela humidade, fui roubar um cobertor de criança da minha filha com que o tapei e claro que ele conseguiu atirar fora o coberto.
Sentei-me na soleira da porta, sim também no chão e de mim para mim, fui-me ofendendo e repreendendo:
— És muito parva Carla!
— Foste meter-te num sarilho desgraçado!
— Como é que vais fazer agora que não tens conhecimentos para isto?
Acho que, parva e estúpida, foram os adjetivos mais simpáticos que chamei a mim mesma nessa longa noite, em conversa de mim para mim.
Para ajudar à festa, vale a pena recordar que o saldo bancário da minha conta, aliás, como de costume, rondava o zero, sou afinal uma divorciada que vive, por escolha própria, sozinha no campo, rodeada de bichos e como diz a minha querida gestora de conta, vivo há anos em falência técnica, mas é assim que escolho viver.
Mas naquele momento, confesso que a minha decisão de salvar a vida daquele enorme monte de ossos, ainda sem nome, me assustou bastante:
— Meu Deus, que sarilho em que eu me meti!!!
— Como posso ser tão parva???
No 2º dia, caído, extrema magreza e ferro na coxa
Primeiro apoio
Na tarde desse dia, liguei ao meu, entretanto já falecido pai, a contar a minha asneira, expliquei que era aquilo ou o animal ser ali abatido e para meu espanto, ele disse que fiz o correto. Foi o meu primeiro apoio e é fácil perceber como eu estava a precisar de apoio neste momento, a todos os níveis, se estava!
Tenho de explicar que o meu pai não gostava de cavalos.
Como bom pai provedor, tinha pagado nos meus 17 e 18 anos as minhas aulas de equitação no Hipódromo do Campo Grande, quando o meu capricho me levou a frequentar a escola agrícola, curso que concluí e adorei, mas não era o gosto dele, dizia preferir os burros que via na sua infância na terra da sua avó, ela própria tinha um que, em fins de noite, quando o meu bisavô bebia um pouco demais e caía, sabia ir a casa alertar e a levava ao local onde o marido tinha ficado. Quando o via chegar sozinho, exclamava “lá vem o cavalo sem cavaleiro” e ele levava-a até ao local onde o dono estava caído, para o trazerem para casa.
O meu pai também sempre gostou de galos, aqueles tradicionais das poedeiras, mas de facto, cavalos nunca foram assim os animais da sua predileção.
De qualquer forma, tratava-se de um animal em apuros e na ótica dele, eu fiz o correto.
Ao menos isso!
As primeiras questões de ordem prática
Havia agora as primeiras questões de ordem prática, o veterinário municipal disse, à despedida, que era só dar ração de alta energia, mas eu ração de alta energia só conhecia a dos cães.
Desde a chegada, foi necessário começar a carregar baldes de água para o fundo do terreno, água e mais água, que um cavalo não bebe propriamente copinhos. Cada balde levava cerca de 5 litros e ele bebeu vários. Será que, na minha ingenuidade, não ia matar o bicho com excesso de água???
Zambujo nos primeiros dias, caído junto à rede
Lembrem-se que uma coisa é montar a cavalo num qualquer centro hípico, onde há funcionários para tratar os animais e outra, bem diferente, é ter um cavalo em casa, tratar dele, ainda por cima um animal naquele estado.
Fomos, até à sede, perguntar. já que lá há muita gente que tem cavalos e pode responder a essa pergunta, afinal ele já tinha bebido mais de 60 litros de água, bebia toda a que lhe dávamos e estava a parecer demais.
— Não lhe faz mal? Estamos a falar de 60 litros...
— Não — foi a resposta — dá-lhe toda a água que ele quiser.
Nova viagem até à sede e com esta fui muito gozada, no bom sentido... ele estava a apanhar com aquele granizo leve e fui meter um cobertor, mas ele deitou fora...
Entre gargalhadas...
— Foste meter um cobertor ao cavalo??? Só tu, não se mete cobertores aos cavalos, a pele deles está preparada para isso.
Nova viagem, nova pergunta:
— Onde raio arranjo ração de alta energia para cavalo? O veterinário disse para dar...
Desta vez a reação foi mais explosiva:
— ESSE VETERINÁRIO É UMA BESTA! (lamento para o veterinário a expressão espontânea, que sai por impulso e não teria em vista uma ofensa) isso vai matar o animal!!
Lá recebi uma “receita quase médica”, num papelinho, mas que muito me ajudou:
— Vais ali ao Jorge (loja agrícola aqui da zona, mas que eu ainda não conhecia) e vais comprar sêmea (que também não conhecia) e ração em granulado (estava lá a marca), da mais barata, já que está fraco demais para ser alimentado com bombas energéticas e vais dar pequenas quantidades de 3 em 3 horas. Alta energia!?!? vais matar o cavalo!! — disse acompanhado de mais uns impropérios contra o veterinário que, certamente, não o disse por mal e era a sua perspetiva.
Lá começou a nova fase da minha vida, carregar água e comida e ele ali caído no chão sem se levantar.
Bom, ele veio para passar os últimos dias de vida acompanhado, mas passaram dois dias e ele deitou-se, pensei que precisava de falar com um veterinário, só para ter assim uma opinião, saber se estou a fazer as coisas corretas, mas quer dizer, não podia meter assim o cavalo no carro e ir à veterinária do costume, para os cães e gatos, acho que sinceramente nem cabia naquela porta e a Drª. Érica zangava-se, obviamente, comigo. Mas não conhecia nenhum veterinário de cavalos, quer dizer, devia haver, mas eu não conhecia...
Lá vou eu, em nova viagem à sede, já deviam estar fartos de mim, mas desta vez fui pedir o contacto de um veterinário de cavalos, queria sentir-me mais segura e naquele momento não me sentia nada segura!
Ele, em dois dias, ainda não tinha morrido e eu sentia que precisava mesmo de falar com um veterinário para ter uma linha de orientação. Estava a fazer bem ou mal? Ainda por cima, volto a repetir, eu estava sem dinheiro e, portanto, só mesmo uma conversa que me desse alguma força nesta minha asneira.
Drª. Íris
Lá me deram outro papel com o contacto da Drª. Íris a quem liguei na manhã seguinte e assim entrou esta nova personagem na minha vida que acabou por se tornar uma luz orientadora, ao longo destes quase seis anos.
Comecei por ser muito franca:
— Drª eu estou sem dinheiro, portanto, só lhe vou pedir um conselho, já que eu fiz esta asneira e apesar de estar a dar o meu melhor, só queria saber se estou a proceder bem ou mal.
Para meu espanto, ela veio na sua carrinha branca cheia de medicamentos e material na parte de trás, como costumam ser, as carrinhas dos veterinários que vão a campo, lidar com animais maiores e que eu, à data, também desconhecia e começou assim uma nova etapa da minha vida.
Nossa abordagem está focada em entender o que você precisa e fornecer soluções práticas. Desde consultas personalizadas até assistência prática.

Escrito para quem ama animais e acredita em segundas oportunidades
Para quem conhece a ligação única entre humanos e cavalos e para todos aqueles que acreditam que cuidar pode transformar uma vida.
O Resgate do Zambujo é uma história de abandono, coragem, confiança e recomeços. Uma história que mostra que, quando existe vontade de lutar, mesmo aquilo que parece impossível pode tornar-se realidade.
Porque Impossible is nothing — e, por vezes, ao salvarmos, descobrimos que também podemos ser salvos e que somos capazes de muito mais do que alguma vez imaginámos.
Exatamente um ano depois de ter chegado
Quando finalmente parecia que a sua vida tinha entrado nos eixos, uma cólica grave, provocada por uma torção do intestino, voltou a pôr tudo em causa.
Foi uma noite inteira de tentativas, medo e desespero. Até às três da manhã, fizemos tudo o que era possível em casa: medicamentos, soros, tubos, passagem à guia e corrida, numa tentativa de fazer o intestino voltar a funcionar.
Eu não podia correr. Teve de ser o meu filho.
Ainda adolescente, correu com o Zambujo durante horas. As pequenas pedras que entravam nos ténis já lhe feriam os pés, mas ele não parava.
E, enquanto tentávamos encontrar um atrelado para o levar para a Faculdade, a minha filha, cinco anos mais nova, acordou com a agitação e ficou à janela a chorar em silêncio, a ver a veterinária a introduzirem mais um tubo no nariz do Zambujo, que já sangrava.
Foi uma noite que não lembra a ninguém.
Finalmente, já de madrugada, apareceu o atrelado. O Zambujo foi levado para o Polo Universitário da Ajuda, onde os cirurgiões tiveram de o operar. Não davam garantias.
No regresso a casa, já depois do sol nascer, eu adormeci ao volante na Ponte Vasco da Gama. O meu filho, atento, acordou-me. Parámos para tomar um café e foi então que chegou a chamada da Faculdade:
a operação tinha corrido bem. O Zambujo estava vivo.
No dia seguinte, estávamos novamente junto dele.
Pela segunda vez, o Zambujo tinha sido salvo.
Edições e formatos:
Ficha técnica
Título: O Resgate do Zambujo
Subtítulo: Resgate de Um Cavalo Abandonado
Autora: Carla Matos Alves, 2024–2026
Local: Lagoa da Palha, Pinhal Novo — Palmela, Setúbal
Prólogo: Ana Vieira, 2024
Edição: © Carla M. A. Matos Alves, 2026
Capa, Publicação, Acabamento e Distribuição:
KDP Amazon / KDP Amazon.es
Ilustração: Dan e Jéu Pedrada, 2025
Fotografias: Carla Matos Alves, entre 2018 e 2025
Palavras-chave:
#cavalo; #resgate; #esperança; #superação; #empatia; #coragem; #animais
1.ª Tiragem: 50 exemplares
2.ª Tiragem: N/A
Páginas: 185
Depósito legal: 554235/25
IGAC — OBRA_LIT_ART: 1586/2025
ISBN:
e-Book: 978-989-33-9008-5 — edição independente
Livro 1.ª edição: 978-984-10347-30-4 — editado por Autografia, Barcelona, 2024
Livro 2.ª edição: 979-824-15136-8 — edição independente
Selo editorial: Independently published
Testemunhos
Dr. Apokalipse
AKA -- Rui Gago -- (amigo e escritor da aba do primeiro livro)
Quando li o livro pensei, “mas que coragem!”
Conheço a Carla há mais de 30 anos e se tivesse de escolher algumas das suas qualidades, a sua paixão por animais e a sua incansável vontade de escrever não podiam faltar.
Na verdade, a sua vida dava um bom livro.
“O resgate de Zambujo” é um testemunho incrível de dedicação, força de vontade e esperança. A história de uma mulher que se depara com um cavalo abandonado, à morte, completamente subnutrido e decide o impensável — “vou salvá-lo!” O facto de estar diagnosticada com uma doença que a impossibilita de fazer esforços físicos ou mesmo a sua fraca condição financeira não foram suficientes para a demover.
“O resgate de Zambujo” é sem dúvida uma história de AMOR, de PAIXÃO, de muita DEDICAÇÃO e há quem diga... que de muita LOUCURA.
Depois da sua leitura sentimo-nos satisfeitos por ainda existirem pessoas assim no mundo.
Leia que não se vai arrepender.
Ana Vieira
Amiga e
escritora do prefácio
Há cerca de 6 anos recebi uma notificação no telemóvel. Era uma mensagem da Carla, que tinha resgatado um cavalo. Um cavalo!!!
Nos primeiros segundos da notícia, imaginei a aventura gargantuesca que ia ser, ainda por cima perpetrada por uma pessoa que já tinha a sua vida demasiado cheia de percalços e desafios constantes. Mas, de imediato, também acreditei! Poderia não ter o melhor desfecho, poderia ser mais uma longa e difícil despedida se o quase milagre da recuperação não acontecesse, porém, o cavalo estava em mãos capazes e ela sairia de cabeça erguida. Quem conhece a Carla, sabe que o seu coração do tamanho do Mundo e o seu espírito intrépido e altruísta abraçam desafios que tantos outros considerariam loucura ou perda de tempo. Para ela, desistir pelo bem de alguém ou algum animal nunca é um passo viável, e quis o destino unir precisamente este cavalo moribundo à única pessoa com a coragem de levar avante uma possibilidade de salvação.
O Zambujo é um animal que merece ter a sua história contada aos olhos da sociedade. É uma prova de que o bem vence o mal, se assim desejarmos e nos empenharmos. A história dos dois, desta inesperada união do Zambujo e da Carla, conta como se aprende a curar as feridas, muitas vezes não só físicas, que a Vida nos apresenta, e que o desejo de salvar e ser salvo transcende um mero ato clínico. Aos leitores, espero e acredito que esta narrativa vá levando até vós a força e o alento, e que no final sintam no vosso âmago também a cura de feridas e a coragem de levantar e ir mais além.
TESTE1
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TESTE2
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